Há mulheres que chegam à perimenopausa sentindo que deixaram de reconhecer o próprio corpo.

O sono muda. A disposição diminui. Surgem ondas de calor, alterações menstruais, irritabilidade, dificuldade de concentração, desconforto durante as relações e mudanças na composição corporal.

Apesar disso, muitas permanecem em silêncio. Algumas acreditam que precisam simplesmente aceitar os sintomas. Outras têm medo da terapia hormonal porque ouviram que ela inevitavelmente provoca câncer ou trombose.

A realidade é mais complexa — e também mais tranquilizadora.

A terapia hormonal não é obrigatória para toda mulher e não deve ser apresentada como uma solução milagrosa. Entretanto, quando existe indicação, ausência de contraindicações e acompanhamento médico adequado, ela pode proporcionar melhora significativa dos sintomas e da qualidade de vida.

O que é a terapia hormonal da menopausa?

Durante a transição menopausal, a produção ovariana de estrogênio e progesterona se torna irregular e, progressivamente, diminui. Essas mudanças podem provocar sintomas físicos, emocionais, sexuais e geniturinários.

A composição do tratamento depende da presença ou ausência do útero, sintomas predominantes, idade, tempo desde a última menstruação, histórico pessoal e familiar, risco cardiovascular e trombótico, saúde mamária e ginecológica, preferência da paciente, via de administração e dose.

Não existe uma única “reposição hormonal”. Existem diferentes medicamentos, doses, combinações e vias de administração.

Quais benefícios podem ser esperados?

Controle dos fogachos e suores noturnos

A terapia hormonal sistêmica é considerada o tratamento mais eficaz para ondas de calor e suores noturnos associados à menopausa. Para algumas mulheres, esses sintomas interrompem reuniões, atrapalham o trabalho, provocam constrangimento e fragmentam o sono.

Sono e disposição

A terapia hormonal não é um medicamento para dormir. Entretanto, quando reduz fogachos e suores noturnos, pode ajudar a diminuir os despertares e melhorar a continuidade do sono.

Saúde vaginal e urinária

A redução do estrogênio pode provocar ressecamento vaginal, ardência, coceira, dor durante as relações, urgência urinária e infecções urinárias recorrentes. Quando os sintomas estão concentrados na região vaginal e urinária, o estrogênio local em baixa dose pode ser considerado.

Proteção da massa óssea

A queda do estrogênio acelera a perda óssea. A terapia hormonal pode reduzir essa perda e diminuir o risco de fraturas enquanto estiver sendo utilizada, especialmente em mulheres com menopausa precoce, insuficiência ovariana prematura ou maior risco de osteoporose.

A reposição hormonal ajuda a emagrecer?

A terapia hormonal não é um tratamento para emagrecimento e não deve ser prescrita com essa promessa. O ganho de peso na meia-idade pode envolver envelhecimento, redução de massa muscular, sono inadequado, alimentação, sedentarismo, estresse, medicamentos e mudanças na distribuição da gordura corporal.

Entretanto, controlar sintomas que prejudicam o sono, o humor e a disposição pode facilitar a retomada da atividade física, da organização alimentar e de outros cuidados.

Reposição hormonal causa câncer de mama?

A frase “reposição hormonal causa câncer” é imprecisa porque reúne tratamentos e pacientes muito diferentes. O risco varia conforme estrogênio isolado ou terapia combinada, tipo de progestagênio, duração, idade de início, risco mamário prévio, histórico familiar e outros fatores.

A terapia combinada pode estar associada a um pequeno aumento do risco de câncer de mama, especialmente conforme o tempo de utilização aumenta. Já a terapia apenas com estrogênio, utilizada em mulheres sem útero, apresenta perfil diferente.

Mulheres com histórico pessoal de câncer de mama representam uma situação específica. Para elas, a terapia hormonal sistêmica geralmente não é recomendada e qualquer possibilidade terapêutica deve ser discutida com a equipe oncológica.

E o risco de câncer do endométrio?

Mulheres que ainda possuem útero normalmente não devem utilizar estrogênio sistêmico isoladamente. O estrogênio sem proteção apropriada pode estimular o endométrio e aumentar o risco de hiperplasia e câncer endometrial. Por isso, geralmente é necessário associar um progestagênio adequado.

Toda reposição hormonal aumenta o risco de trombose?

Não da mesma maneira. A terapia oral está associada a maior risco de tromboembolismo venoso. A via transdérmica — adesivo ou gel — apresenta perfil trombótico mais favorável.

Isso não significa risco zero nem que a via transdérmica seja adequada para todas. Antecedentes de trombose, alterações de coagulação, obesidade, tabagismo, idade, imobilização, cirurgias e doenças cardiovasculares precisam ser considerados.

Quem tende a apresentar uma relação mais favorável entre benefícios e riscos?

Em mulheres saudáveis, sintomáticas, com menos de 60 anos ou nos primeiros dez anos após o início da menopausa, a relação entre benefícios e riscos costuma ser mais favorável, desde que não existam contraindicações.

Quando é necessário ter mais cautela?

A terapia hormonal sistêmica geralmente não é recomendada ou exige avaliação específica diante de histórico pessoal de câncer de mama sensível a hormônios, sangramento vaginal sem diagnóstico, trombose ou embolia pulmonar prévia, acidente vascular cerebral, infarto ou doença hepática ativa.

A presença de uma dessas condições não significa que a paciente deve permanecer sem tratamento. Existem estratégias não hormonais e tratamentos locais que podem ser avaliados.

Terapia hormonal não é tratamento antienvelhecimento

A terapia hormonal não deve ser vendida como promessa de juventude, emagrecimento automático, prevenção de demência ou proteção universal do coração. Seu principal papel é tratar sintomas relacionados à menopausa e, em pacientes selecionadas, contribuir para a proteção óssea.

O tratamento começa antes da receita

Uma consulta cuidadosa precisa compreender quais sintomas incomodam, como afetam a vida, o padrão menstrual, o histórico ginecológico e mamário, os medicamentos utilizados, os riscos metabólico, cardiovascular e trombótico, a saúde óssea, a sexualidade e as expectativas da paciente.

A melhor terapia não é a mais famosa, a mais cara ou a mais divulgada. É aquela que possui indicação, segurança e sentido para a realidade daquela mulher.

Informação também faz parte do tratamento

A mulher não precisa escolher entre suportar os sintomas em silêncio e iniciar uma terapia sem compreender seus riscos. Existe um caminho intermediário: receber informação de qualidade, conhecer as possibilidades e participar da decisão.

O Dr. Igor Alves realiza atendimento médico voltado à saúde hormonal, metabólica e à composição corporal, com avaliação individualizada e escuta atenta às necessidades de cada paciente.

Se os sintomas da perimenopausa ou menopausa estão interferindo em sua qualidade de vida, uma avaliação médica pode ajudar a compreender o que está acontecendo e quais caminhos podem ser considerados.

Entre em contato com a equipe para conhecer as opções de atendimento presencial ou online.

Fontes consultadas: European Society of Endocrinology, NICE, ACOG, British Menopause Society e Mayo Clinic.